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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Amnésia e Lapsos de Memória - pergunta do(a) leitor(a)

Obrigada por colocar seus saberes à disposição. Uma pergunta sempre me intriga: as amnésias temporárias, os lapsos da memória recente e a predominância de lembranças muito remotas e até mesmo desconhecidas são neurológicos?

Atualmente consideramos a existência de vários tipo de memória, tais como a procedimental, a memória de fixação, a memória de evocação e a memória tardia.
Há muitas doenças que comprometem predominantemente um ou outro tipo de memória.
No Alzheimer existe o que chamamos de um comprometimento escalonado da memória. Isso quer dizer que a pessoa doente vai perdendo as memórias mais recentes e, progressivamente as mais antigas, até as bem remotas.
Os problemas de memória precisam ser avaliados por neurologista com prática nessa área cognitiva.

Questões sobre o cérebro, a mente ou a alma? Vamos conversar!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Doença, dor e sofrimento

Eu tinha 16 anos quando entrei na faculdade de medicina. O ano era 1985 e por causa daquele vestibular em Londrina acabei tendo que conviver diuturnamente com o sofrimento, a doença e a morte desde então.
Não há nada mais acachapante para quem tem alguma inclinação para a espiritualidade ou para uma reflexão existencial do que esse contato íntimo com as vicissitudes humanas. Somente talvez a convivência com flagelos maiores, que ultrapassam o âmbito do indivíduo e sua família, pode ser mais gritante do que a vida dentro de um hospital. Estou pensando nas guerras, na fome que assola as populações africanas, nos campos de refugiados, nos guetos do nazismo e em coisas odiosas como o apartheid. Para essas não tenho grandeza de espírito necessária. Admiro quem dedica sua vida ao combate direto, in loco, a esses males.
De qualquer modo, a percepção imediata do sofrimento dos outros funciona como um balde de água fria sobre qualquer sonho de mundo feliz que um adolescente, como eu era ao percorrer pela primeira vez os corredores da sala de anatomia, possa alimentar. Apesar disso, entre optar por uma atitude fria e cínica diante da dor ou procurar desenvolver algum nível de contato com o sujeito que sofre; acabei escolhendo o segundo caminho.
Depois de tanto tempo debruçado sobre a literatura médica, conclui que por mais que estude sempre fica algo faltando. No máximo, quando alcanço o estado da arte em alguma moléstia específica, o que acontece é que compartilho a ignorância dos maiores cientistas do mundo. No quesito resolução de sofrimento, a medicina deixa ainda muito a desejar.
Por incrível que pareça, também não há resposta satisfatória na religião. Criam-se justificativas, promessas e apoio espiritual por meio de crenças em compensações posteriores, mas o sofrimento do aqui e agora permanece. Se houvesse um exorcismo realmente eficaz, por padre, pastor ou ministro - algo que realmente extirpasse a doença, os hospitais estariam com seus dias contados. Do mesmo modo, não há atos mágicos, manipulação de Chi ou meditação que repare algo concreto como um fígado cirrótico. Se é falta de merecimento, havemos de perguntar o que merecem então os doentes.
Ciência e religião podem nos ensinar a encontrar saúde no corpo, na mente e no espírito, mas apenas ANTES da patologia se apresentar. Certamente há curas milagrosas reinvidicadas pelas duas artes, mas são assim, milagres em condição de exceção, como são todos os milagres.
No final das contas, fazendo tudo ao alcance dos conhecimentos disponíveis oriundos de qualquer lado, o que sobra diante de nós é a dor e o sofrimento do ser humano vivo e físico, como nós mesmos. E para isso só há um remédio, aquele que está justamente no plano humano da existência. Para esse sofrimento, a cura é a compaixão, a solidariedade, a empatia possível apenas pelo contato caloroso de alguém que se identifique realmente com o outro.
É verdade que os médicos carregam sobre os ombros o peso da responsabilidade do diagnóstico correto, da prescrição inequívoca e da cirurgia precisa. Até mesmo nos cabe a função de dizer que chegou a hora de parar e deixar a vida atingir seu fim irrevogável. Mas penso que o médico(incluindo a mim mesmo) ainda está distante do nível de humanidade necessário para o tratamento do sofrimento. Vejo, por exemplo, que não teria o desapego de enfermeiras ou fisioterapeutas que lidam diariamente com as excreções normais e patológicas, dando banho, trocando ou aspirando os pacientes.
A doença é, certamente, um negócio para os profissionais da saúde, mas alguns acrescentam de si a compaixão que entregam graciosamente e então demonstram seu valor como pessoas. São poucos, mesmo porque tal dedicação é dura, dolorosa em si e até incompatível com a luta pela sobrevivência e com a pressa, sua filha dileta.
A espiritualidade e a inquisição interior dos motivos da vida e seus percalços são suportes fundamentais para organizarmos uma postura própria diante dos problemas. O conhecimento de tecnologias científicas e espirituais são ferramentas a serem adquiridas para o trabalho. Uma vez feito isso, é hora de partir para o campo real da batalha diária e procurar, sinceramente, fazer o melhor para o outro.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Aumentando a saúde, evitamos as doenças

Não sei se é verdade ou mito, mas dizem que os chineses antigos pagavam periodicamente seus médicos para que mantivessem sua saúde. E paravam de pagar se ficavam doentes. A função do médico era evitar que seus clientes ficassem doentes. A medicina preventiva era muito mais valorizada que a curativa, exatamento o contrário do que acontece hoje. Mas se, por um lado, a tecnologia empurrou a medicina para uma atitude reativa diante da doença; de outro, aumentou também a possibilidade de mantermos mais saúde seguindo informações acessíveis a todos.

A idéia dos povos do Extremo Oriente era de que um desequilíbrio energético sempre precedia a manifestação de uma patologia física. Tal alteração era passível de detecção ou tratamento por um bom curador, antes da doença se consolidar. No caso da medicina chinesa, bastava ao médico palpar os pulsos e ver a língua do paciente para reconhecer qual dos 12 meridianos pares ou dos 2 ímpares apresentava um bloqueio energético e, assim, o tratamento era realizado. Por meio da fitoterapia, da acupuntura, da moxa e dieta os terapeutas ajudavam o paciente a restabelecer seu Chi e, com isso, voltar a ter harmonia interna e externa.
É certo que atualmente não temos essa capacidade quase sobrenatural de detectar as alterações das energias sutis. Na verdade, os ocidentais nem acreditam muito nesse tipo de conceito. Todavia, ninguém fica espantado se dissermos que antes de aparecer uma úlcera gástrica, deve ter acontecido um desequilíbrio na função da produção de ácidos no estômago e que teria sido possível tratar a úlcera mesmo antes dela se manifestar, caso soubéssemos da hiperacidez.
O problema que queremos destacar é que apesar de sabermos das nossas doenças antes delas aparecerem, optamos por ficar alienados, ignorando os sinais que nosso organismo fornece.
Podemos compreender um pouco mais sobre a saúde se entendermos como nosso corpo mantém o equilíbrio, assimilando variações do meio interno ou externo enquanto permanece dentro de uma faixa de normalidade.
Uma das características fundamentais desse organismo altamente complexo e evoluído que temos é a homeostasia - a capacidade que o corpo tem de se recuperar de estados de desequilíbrio e voltar ao seu estado normal, atuando dentro de uma faixa de segurança.
Um exemplo de mecanismo homeostático é o controle da temperatura. Nosso sistema corpóreo consegue se manter facilmente por volta de 36 a 37 graus Celsius, mesmo que estejamos em ambientes que variem de 10 a 45 graus. Se está calor, suamos para resfriar; se está frio, trememos para aquecer.
A doença é a decorrência daquela situação extrema que ultrapassa os limites da capacidade de auto-regulação do corpo físico. Uma vez rompida essa barreira da saúde, o estado doentio se instala de modo progressivo até a deterioração completa do organismo ou morte. Eventualmente, novos estados de equilíbrio precário são alcançados, mas isso não impede o avanço de doenças como o diabetes ou a hipertensão arterial.
Se tivermos a capacidade de nos manter atentos aos nossos estados mais sutis, seja em nível mental, emocional ou físico, poderemos antecipar as situações que podem colocar em risco nossa saúde. Além disso, todos temos à disposição uma grande quantidade de informações que podem nos ajudar a encontrar mais saúde e alcançar maior longevidade.
Podemos adotar uma alimentação mais saudável para nós e para o planeta diminuindo o consumo de carnes e preferindo os pescados. Também melhoramos nossa saúde evitando os carboidratos simples como o açucar e as gorduras que aumentam o colesterol. A atividade física regular, a abstenção de fumo e dos excessos de álcool também favorecem maior saúde.
Pense como você quer estar, fisicamente, daqui a 5 ou 10 anos. Analise o quanto sua vida pode ser preciosa para seus filhos, amigos e companheiro(a) e como eles querem vê-lo(a) também no futuro. A alternativa para viver "dez anos a mil" não é viver "mil anos a dez". Com sabedoria é possível encontrar equilíbrio para viver uma vida significativa e longa ao mesmo tempo.